Os Adoçantes e Suas Controvérsias

Os Adoçantes e Suas Controvérsias
5 de maio de 2017 Alimentação Sadia

OS ADOÇANTES E SUAS CONTROVÉRSIAS

Adoçante definitivamente é uma das substâncias mais polêmicas que consumimos. Prova disso é que com uma simples pesquisa na internet encontramos diversos artigos onde uns os tratam como verdadeiros vilões e outros afirmam que não faz mal algum. Então, no que acreditar? Adoçante faz mal ou faz bem?

Tipos de Adoçantes

Antes de tudo precisamos diferenciar os adoçantes, que também são chamados de edulcorantes. Eles são divididos em naturais (extraídos de vegetais e frutas) e artificiais (produzidos em laboratório). Alguns exemplos:

Adoçantes Naturais Adoçantes Artificiais
Esteviosídeo (Estévia) Sacarina
Sorbitol Aspartame
Manitol Sucralose
Xilitol Ciclamato
Taumatina Acesulfame-K

No Brasil os adoçantes mais utilizados são os artificiais. Principalmente Sacarina, Sucralose, Aspartame e Ciclamato.

O Que Se Sabe

Os adoçantes são substâncias que já foram e continuam sendo estudadas exaustivamente. O importante é que estudos mais recentes quebraram alguns paradigmas que antes eram tomados como verdades.

O ciclamato e sacarina, por exemplo, foram banidos por diversos países após estudos sugerirem que suas ingestões crônicas aumentavam a incidência de tumores de bexiga em ratos. Por isso nos Estados Unidos o ciclamato foi banido em 1970.

Mas, o FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos conduziram inúmeros estudos sobre carcinogênese após petição do setor produtivo para revisar esse estudo. Os novos estudos envolveram o ciclamato sozinho ou em misturas com sacarina, e não conseguiram demonstrar incidência estatisticamente significativa de tumores na bexiga dos animais testados.

Hoje, instituições de altíssima credibilidade no assunto como FDA (Food and Drug Administration), JECFA (Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives) e NCI (National Cancer Institute), todas do Estados Unidos, mantêm a posição de que os adoçantes não causam câncer.

Mas, as mesmas instituições estabeleceram para cada adoçante a IDA (Ingestão Diária Aceitável), que é a quantidade que se pode ingerir por dia com segurança cada substância. Não vale a pena entrarmos em questão do valor de cada uma por que são valores altos. Dificilmente um adulto normal conseguirá ultrapassar os limites seguros.

Opa, está liberado então o consumo a vontade? Absolutamente não. Infelizmente o assunto não é tão simples. Novos estudos têm trazido informações importantes sobre os edulcorantes e iremos olhar os principais.

Apetite

Em 2016, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Sidney e do Instituto Médico de Garvan, e publicado no jornal “Cell Metabolism”, confirmou a suspeita de que adoçantes artificiais aumentam o apetite. O estudo comprovou que dentro da parte de recompensa do cérebro a sensação do doce é integrado com o conteúdo energético. Em outras palavras, quando a Doçura x Energia esperada está fora de equilíbrio o cérebro se recalibra e começa a pedir uma maior quantidade de calorias, principalmente em forma de alimentos doces. E esse desequilíbrio sempre existirá quando falamos de adoçantes artificiais, visto que eles possuem pouca ou nenhuma caloria. Além disso, o mesmo estudo descobriu que os edulcorantes artificiais promovem hiperatividade, insônia e diminuição da qualidade do sono – comportamentos consistentes em estado de jejum ou fome.

Paladar

David Ludwig, doutor especialista em obesidade no Hospital “Boston Children’s”, afiliado de Harvard, trouxe atenção ao que estudos sugerem que edulcorantes artificiais mudam a forma com que experimentamos a comida. Ele ressalta que esses adoçantes não nutritivos são muito mais potentes que o açúcar ou xarope de milho, e o uso frequente super estimula os nossos receptores de açúcar, levando-os a intolerância. As pessoas começam a achar alimentos já doces, como frutas, menos agradáveis e alimentos não doces, como vegetais, muito desagradáveis. Por isso, é comum ver que quem utiliza frequentemente adoçantes artificiais está cada vez utilizando maiores dosagens.

Vício

Um estudo de 2007 publicado na “US National Library of Medicine National Institutes of Health” realizou experimentos onde os ratos podiam escolher entre receber cocaína ou sacarina. A maioria dos ratos sempre escolhia a sacarina. Por mais que ainda não exista uma resposta definitiva na comunidade científica, vários estudos apontam que os adoçantes artificiais podem causar dependência.

Aumento na formação de Gordura

Um novíssimo estudo em 2017 publicado na ENDO 2017, no 99º encontro anual da sociedade de endocrinologia em Orlando, FLórida, trouxe informações que podem chocar as pessoas, principalmente por que traz evidências de que os adoçantes fazem justamente o contrário do que se espera, que é ajudar a não engordar e se manter saudável. Esse estudo abordou a sucralose, muito utilizado em bebidas industrializadas, gomas de mascar, cereais, molhos de saladas, entre outros.

Os especialistas expuseram células troncos durante 12 dias a doses de sucralose. Essa exposição mostrou que os genes que são indicadores na produção de gordura e inflamação se multiplicaram consideravelmente. Mais indicadores de produção de gordura significa que quando o corpo for metabolizar os alimentos e gerar gordura, ele irá gerar mais gordura quando comparado a uma célula normal. Portanto, seu corpo fica suscetível a criar gordura com mais facilidade do que antes.

Aumento na Taxa de Açúcar no Sangue

Outro estudo realizado em 2014 no Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, levou em conta os adoçantes artificiais sucralose, aspartame e sacarina. Os adoçantes artificiais não são processados no estômago, vão direto para o intestino. No intestino verificou-se que algumas bactérias da flora intestinal se multiplicam mais que as outras devido aos edulcorantes artificiais, gerando um desequilíbrio. Esse desequilíbrio provoca um aumento de hormônios que atrapalham a ação da insulina, que é justamente a de captar a glicose e manter os níveis de açúcar no sangue sob controle.

Conclusão

Com tanta coisa ruim você deve estar se perguntando: De volta ao açúcar? O açúcar continua sendo uma opção (mas não ideal), mas obrigatoriamente em sua forma natural, como por exemplo dentro da fruta ou sem passar por processos de refinamento. Quanto mais nutritivo o açúcar for e mais fibras possuir, menor são os impactos de glicose no sangue. Por isso, se for optar pelo açúcar, opte por opções nutritivas como o mascavo ou demerara. Nunca o açúcar refinado.

Agora, se for manter a opção por adoçantes, repare que grande parte dos estudos mostram problemas relacionados aos edulcorantes artificiais, não naturais. Portanto, opte apenas por opções que são 100% naturais. E, fique muito atento, por que a indústria alimentícia adora vender adoçantes como naturais, sendo que na verdade é uma mistura de natural com artificial. Para ter certeza, olhe todos os ingredientes na embalagem do produto.

Dentro os adoçantes naturais o que possui mais estudos benéficos é a Estévia. A Estévia é uma erva, naturalmente doce e considerado de 100 a 200 vezes mais doce que o açúcar. Embora a folha da estévia (em forma fresca ou seca) seja considerada saudável, muitas formas modernas desse edulcorante são em pó ou processados.

A Estévia possui dois compostos responsáveis pela doçura: Stevioside e Rebaudioside A. Stevioside só faz cerca de 10% da doçura, e é o que possui o sabor amargo que muitas pessoas não gostam. Mas, é ele que contém a maioria das propriedades benéficas das estévia e que são creditados os benefícios de saúde em diversos estudos. Infelizmente, nos produtos processados, apenas o Rebaudioside A é extraído da planta e adicionado a substâncias como milho, dextrose ou outros adoçantes artificiais. Logo, passa uma falsa impressão ao consumidor de que é saudável.

Portanto, a dica do Alimentação Sadia é procurar adoçantes naturais em sua mais pura forma. Evite produtos industrializados e processados. E, no melhor dos casos, eduque-se a se acostumar a consumir cada vez menores quantidades de adoçantes ou açúcar. Essa prática irá fazer você sentir mais o gosto das comidas e manter um corpo saudável.






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